Reflexão do trabalho realizado em aula

Ao longo das aulas trabalhámos o foco, distração, os níveis espaciais, os apoios, as projeções, os impulsos, os rolamentos, as quedas e o enraizamento. Trabalhámos também sensações, emoções, memória, imaginação e pensamento.

O primeiro exercício que fizemos foi a Saudação ao Sol, este exercício ajuda-me a alongar e fez-me também ter mais cuidado/atenção à minha coluna e a ter uma postura mais correta, ajuda imenso porque tenho problemas na coluna e tenho sempre tendência a estar com uma postura encurvada. Quando fiz este exercício pela primeira vez tinha algumas coisas a melhorar como, a tensão nas pernas, a sustentação das costas e o alinhamento dos braços com as orelhas. Com a repetição deste exercício em aula, fui melhorando a tensão e fui conseguindo ir mais longe com o meu corpo, também com a ajuda da respiração, mas ainda tenho algumas posturas a melhorar.

Outro exercício que realizámos em aula, foi movimentar o corpo tendo contacto com o chão. Este exercício consistia em empurrar o chão com várias partes do nosso corpo e com isso mudar de posição, deixando o corpo cada vez mais longe do chão, mas continuando a ter contacto e explorando movimentos, utilizando o nível baixo, médio e alto. À medida que fomos fazendo este exercício, fui experimentando e fui tentando utilizar todas as partes do corpo em contacto com o chão, para mudar de posição. Acho que é um exercício que dá para explorar bastante os movimentos do nosso corpo.

O exercício de enraizamento, é um exercício que consiste no enraizamento profundo, no alinhamento dos joelhos e tornozelos, no direcionamento dos ísquios, no equilíbrio e desequilíbrio, na relação com os apoios e projeções e na relação com o alinhamento do tronco. Este exercício ajudou bastante para ter a perceção do corpo, da minha postura e do meu alinhamento. No início tinha dificuldade em mexer a parte de cima do corpo, não sabia o que fazer com essa parte. Com a continuação do exercício, acho que explorei mais os movimentos do meu corpo, mas tenho de explorar muito mais para descobrir novos movimentos, novas formas de enraizamento.

Fizemos, também, um exercício que era imitar uma imagem (bufão e dançarina). Neste exercício era preciso ter foco, concentração e equilíbrio para conseguir sustentar a figura. Mais tarde, a partir desta figura tivemos de fazer movimentos.

Fizemos um alongamento da parte superior do corpo. Este alongamento alonga os braços e a parte de trás das costas.

O exercício que consistia em descontrair os braços e movimentar o corpo de forma a que os braços se mexessem, foi complicado para mim, porque como tinha o corpo tenso, sentia que tinha dificuldade em descontrair os braços de maneira a que fossem movidos pelo corpo, também tive dificuldade em explorar neste exercício, acho que fiquei só por alguns movimentos mais básicos. Neste exercício senti-me tensa e bloqueada e acho que não consegui soltar-me, apesar de ser um exercício bem divertido e descontraído.

A seguir a este exercício, fizemos um que consistia em sentir o calor das mãos e fazer movimentos com essa sensação. 

Os exercícios da utilização da máscara, foram bastante úteis para mim, pois ajudou a perceber como utilizar os nossos músculos para fazermos várias máscaras. Quando adicionámos o texto, ficou mais complicado, pois era difícil manter a máscara enquanto se falava.

O jogo do pegador que consiste em ter um pegador e uma presa e as restantes pessoas deitadas no chão. A presa tem de fugir do pegador e passar por cima de alguém antes de ser apanhada (caso seja apanhada passa ela a ser o pegador e o pegador passa a ser a presa). A este jogo adiciona-se também as velocidades de 0 (parado) a 10 (máximo que podemos dar). Este jogo para mim ajuda a concentrar e a ativar o corpo e também a criar formas de nos movimentarmos consoante a velocidade. Este exercício ajuda-me também a descontrair, mas ao mesmo tempo a concentrar pois temos de estar sempre atentos ao jogo (parados, mas não a descansar, sempre ativos).

A música Caninana juntamente com o jogo feito em roda que consistia em tocar nos tornozelos e não deixar tocar nos tornozelos em que um participante entrava e desafiava outro para jogar com ele. Foi muito bom, pois cada pessoa arranjava uma forma diferente de atacar ou de se defender.

Ao longo das aulas, acho que melhorei algumas coisas e aprendi bastante também.

Acho que a minha maior dificuldade sou eu mesma, porque não me permito arriscar, mas estas aulas ajudaram-me bastante. Aprendi a ter mais atenção ao nosso corpo, ás nossas posturas. Aprendi também a movimentar o corpo através da improvisação, a ter perceção do nosso corpo como o podemos usar e o quanto ele é importante para o nosso trabalho. 

Estas aulas para mim foram muito produtivas, dinâmicas e essenciais para o meu desenvolvimento.

Trabalhamos também o tempo do movimento (movimento lento, súbito, pontuado e pausas), o espaço (níveis, direções no espaço e locomoção) e o suporte técnico (articulações e vísceras).

Na realização dos exercícios feitos em aula foram utilizadas algumas técnicas que vou falar a seguir.

No enraizamento, no suporte técnico, nos apoios, na saudação ao e em alguns aquecimentos feitos em aula utilizámos os vetores ósseos da técnica Kauss Vianna. Começámos pelo primeiro vetor que é o metatarso. É o primeiro vetor de força que é ativado com a aplicação da pressão do metatarso em direção ao solo, empurrando o chão e como consequência, os três arcos que sustentam o pé, ampliam o sentido oposto ao chão e assim auxilia a locomoção, impulsão e também no suporte de pesos que servem como amortecedores. O segundo vetor são os calcanhares. A sua ativação tonifica toda a região posterior do corpo (dos calcanhares ao couro cabeludo). 

O primeiro vetor mais o segundo vetor provoca-nos estabilidade, força, decisão e segurança para o movimento tridimensional. 

O terceiro vetor é o púbis que está relacionado com o encaixe da bacia. Podemos direcionar o púbis para cima ou para baixo, dependendo das ações corpóreas que queremos. 

O quarto vetor é o sacro que também está situado na região pélvica e assim está diretamente relacionado ao terceiro vetor.

O quinto vetor são as escápulas. Com a sensibilização da cintura escapular, as escápulas acomodam-se na caixa torácica e assim não ficam salientes. Elas abrem-se resultando na ampliação das costas, da região frontal das clavículas e dos peitorais, uma vez que o movimento da clavícula é guiado pelo deslocamento da escápula.

O sexto vetor são os cotovelos que são direcionados para os lados e assim ampliamos os espaços articulares dos cotovelos e os espaços articulares dos encaixes entre os úmeros e as escápulas, isto possibilita a sustentação dos braços para todas as direções anatomicamente possíveis. 

O sétimo vetor é o metacarpo. As mãos são muito flexíveis, expressivas e são usadas em várias direções para várias ações.

O oitavo vetor e último é a sétima cervical. Este vetor proporciona espaço na cavidade da traqueia, melhorando o uso das cordas vocais.

As direções ósseas ou as forças aplicadas com direção nessas oito regiões ósseas levam-nos a equilibrados alongamentos dos espaços articulares do nosso corpo. A partir da perceção do alongamento, podemos direcionar as forças para várias direções, dependendo que queremos. 

Nas nossas aulas também foi dado a Educação Somática que é composta por três conceitos que são, o descondicionamento gestual, autenticidade somática e tecnologia interna.

Vou abordar agora alguns exercícios que nos foram propostos em aula sobre a Educação Somática: a diminuição do ritmo (passávamos de movimentos de ritmo normal para um ritmo lento), a respiração como suporte do movimento (usamos o nosso próprio ritmo respiratório como suporte do movimento), a interpretação da diretriz verbal (não nos foi mostrado movimentos, mas sim fomos levados a interpretar o que nos era pedido, segundo a perceção que temos do nosso corpo, dos nossos limites e potencial), a auto-pesquisa do movimento ( explorámos, através do movimento, conexões entre partes do corpo aparentemente desconexas), a auto-massagem (massajámos  cada parte do corpo para reativar o sistema propriocetivo), a busca do esforço justo ( ativámos o tónus de acordo com a situação e com o objetivo de cada exercício proposto), o alongamento de músculos da postura e tendões ( a partir de movimentos alongámos os músculos e os tendões como no exercício de saudação ao sol), o aumento do vocabulário gestual ( os movimentos que foram propostos não eram movimentos que usamos no quotidiano mas sim movimentos criados por cada um com as indicações dadas) e a aprendizagem “leiga”. 

Rodolfo Laban diz-nos que a relação ao peso, à gravidade já contém um humor, um projeto sobre o mundo. É essa gestão do peso específica e individual, que nos faz reconhecer uma pessoa que nos é familiar a subir uma escada apenas pelo ruído. Chama-se pré movimento,a atitude em relação ao peso, à gravidade, que existe antes de se iniciar o movimento. Esse pré movimento vai produzir a carga expressiva do movimento que iremos executar.

O pré movimento age sobre a organização gravitacional, ou seja, sobre a forma como o sujeito organiza a postura para ficar em pé e responder à lei da gravidade, nessa posição.

Os músculos gravitacionais, encarregados de garantir o nosso equilíbrio, antecipam-se a cada um dos nossos gestos.

A organização gravitacional de um indivíduo é determinada por uma mistura complexa de parâmetros filogenéticos, culturais e individuais. Todos esses elementos contribuem para tecer a relação simbólica que vai vincular a atitude corporal, a afetividade e a expressividade, sob a pressão do meio em que está inserido.

Diana Duarte Ferreira

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