Perder me em mim 4 elementos
Antes deste curso já tinha feito um no secundário onde tive
movimento e onde acabei por ultrapassar algumas dificuldades e a vergonha e o
medo de me expor que eu tinha, mas ao chegar a este curso a esta disciplina
comecei a ficar muito perdido e preso voltei a ter medo de me expor do que quem
me estava a ver iria pensar, cada borburinho, cada riso, tudo o que os meus
colegas observadores faziam eu tinha medo que fosse a criticar me Godard diz “o
espectador se torna, em parte, o peso do outro” e era isto que eu sentia tinha
vergonha, depois se os meus colegas fossem primeiro que eu , ficava com receio
de não fazer algo tão bom como o que eles faziam. Apesar de ter alguma
experiência e já tinha passado por tudo isto uma vez sentia a me com receio
tinha medo que achassem estranho o que eu fazia e que me criticassem eu tentava
fechar os olhos, mas quando fechava os olhos só pensava no que eles poderiam
estar a pensar.
não me conseguia soltar e estava a ganhar um pouco de
resistência a disciplina por não entender o que era proposto, eu tenho
problemas de motricidade e de equilíbrio e a maioria dos exercícios que fazia eram um
constante desafio aos meus problemas. Das primeiras vezes que fazia ou caia ou
aguentava pouco a faze los, mas todas as aulas eu ia mais longe e pouco a pouco
comecei a ultrapassar os exercícios que mais dificuldade tinha eram por exemplo
a saudação ao sol ao arquear as costas e estar de prancha. Para alem disto
fazíamos exercícios baseados nos 8 vetores de Márcia Baltazar eu sou descoordenado
e com muita pressão baralho a esquerda e a direita especialmente em efeito de
espelho.
E os 8 vetores faziam me imensa confusão toda aquela coisa
das escapulas e do metatarso, mas apesar disto não tive problema em realizar
estes dois enraizamentos, mas o vetor do cotovelo sim porque o meu cotovelo não
dobra totalmente o que surgiu alguns inconvenientes quando o objetivo era mesmo
esse dobrar o cotovelo ou esticá-lo depende da perspetiva, eu sentia me muito
mal nas aulas pois não entendia nada do que era para fazer e para alem disso
ainda tinha estas dificuldades todas. A professora também introduziu exercícios
da educação somática de Márcia Bolsanello onde eu tinha algumas dificuldades,
mas que tendo em conta o que é a educação somática faziam me bem e ajudavam-me
a lutar com as minhas fraquezas como por exemplo a diminuição do ritmo, eu
chegava mesmo a passar me quando eu tinha de andar em velocidade 1 sempre tive
enorme dificuldade nisso.
Também devido a pandemia era tudo muito estranho, mas algumas
eram giras, antes da pandemia eu conhecia o “cardume” todos juntos coladinhos
uma pessoa a frente e todos o seguíamos, mas sem ninguém saber quem era o líder,
mas a professora em plena pandemia consegui fazer isso sem pôr ninguém em risco
e assim começamos a preparar algo para uma aula aberta. Um dia chegamos a aula
da professora e ela apresenta nos o jogo do caçador e da caça ou do “pega pega”
como ela chamava, e este jogo aproximava se do que eu conhecia então comecei a
ficar mais interessado a entender o proposto, e começamos a contruir um
conjunto de exercícios para apresentar na aula aberta a certa altura a
professora mete uma musica e da nos liberdade de criar, eu tinha muita
dificuldade em dançar em soltar me ate que a professora me da uma sugestão (mas
apenas verbal nunca me mostrou como porque não me queria influenciar tal como
bolsanello diz) de um enraizamento que me deu a ideia de brincar com os 4
elementos e é engraçado pois nem eu tinha pensado muito nisso eu só come a
fazer e dou por mim a mover a terra mas foi a musica da paciência que deu me
algum tipo de liberdade, comecei a deixar o corpo falar, o meu corpo contava
algo que nem eu sabia todas aquelas tensões e distensões soltavam algo em mim,
seguindo bolsanello aquela sugestão da professora aumentou o meu vocabulário
gestual, faltou apenas saber usar a tecnologia interna neste caso que me
ensinaria a cair sem me magoar ou a colocar o corpo em tensão sem me doer, mas
é um processo difícil pois não é fácil trabalhar/fazer/executar enquanto e ter
cuidado ao mesmo tempo eu próprio em todo o processo da disciplina testemunhei
isso mesmo quando pensava no que estava a fazer ou cair com cuidado ou algo
relacionado sentia que não o estava a fazer bem que estava preso não conseguia
“voar”
Mas à parte disso estes movimentos libertavam-me do que me
preocupava a partir deste dia o ritmo da aula parecia todo diferente nos saímos
daquelas aulas realmente felizes e cansados, mas não só fisicamente, mas
emocionalmente também, mas um cansaço bom.
“A memória foi trabalhada como lembrança e como
possibilidade de realizar novamente uma ação. Foram levantados outros processos
que estimulam ou até dependem de memória no fazer teatral, sem, entretanto,
serem aprofundados na disciplina. Lembranças de situações vividas, memória
emotiva, memorização de texto, são exemplos de diferentes abordagens das vias
mnemônicas. É difícil separar memória de imaginação, as imagens das lembranças
são constantes, apesar de outras vias serem também citadas nas rodas de
conversa, como as sensações e emoções. A mobilização de emoções dá densidade às
ações. Poucos estudantes desenvolveram em um semestre a capacidade de entrar e
sair de estados emotivos, mas a grande maioria conseguiu vivenciar momentos de
emoção em movimento, alguns, inclusive, acionaram a emoção ao observarem os
trabalhos dos colegas.” Meira, Renata Bittencourt
A professora escreveu isto no brasil em 2008, sem me conhecer
nem a ninguém da minha turma que este ano 2020/2021 fomos seus alunos como é
possível que eu ao ler o seu texto reveja emoções que aconteceram comigo nas
suas aulas, como já referi em diversos momentos a professora deu me uma
sugestão de um movimento que foi muito libertador para mim, mas como assim
libertador neste ponto mesmo deixou me voar na minha mente ate acontecimentos
passados, deixou me criar um novo mundo só com aquele movimento um simples
movimento repetido mas a cada repetição era um sentimento diferente, uma
memoria diferente mas sim é verdade que é difícil separar o real do imaginário
na nossa mente e isto porque as vezes entregamos- nos tanto ao movimento a
performance que conseguimos sair, sair daquela sala e andar perdido na
imaginação perdido ou não pois também podemos ir para “aquele lugar” onde nos
sentimos bem.
“apoios, sensibilização da pele, perceção dos ossos,
manipulação do corpo, projeções no espaço e impulsos foram trabalhados com
objetivo de sensibilizar o corpo.”

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