Permitiu-me encontrar outros "eus" dentro de mim

 

 

                     A cadeira de Corpo e Movimento Cénico para além de ser extremamente importante foi das minhas aulas preferidas este semestre, sempre que entrava por aquela porta, cheio de vontade de começar a aula, entrava logo a dançar e mesmo antes da professora chegar à sala já eu escorria suor por todo o lado. Aprendi imensas coisas desde técnicas a culturas completamente diferentes das que eu me deparo todos os dias. Lembro-me que quando a professora trazia uma música diferente com uma letra que eu não compreendia, estava sempre com um sorriso na cara, à espera da explicação da professora.



     Algo que a professora focou bastante foi na técnica de Klauss Vianna, que consiste na perceção/noção do corpo a nível músculo-esquelético,         ou seja, a sensibilização da pele, perceção dos ossos, manipulação voluntária do corpo, projeções, apoios e impulsos.      

Lembro-me que na primeira aula que nas primeiras aulas que eu tive, quando cheguei ao curso, estavam a explorar os ossos dos pés e eu lembro-me de me perguntar: “WHAT?? O QUE RAIO ESTÁ ESTE PESSOAL A FAZER??”, mas depois dumas aulas tudo começou a fazer sentido. Isto porque ao ter a noção do maléolo permitiu-me estabilizar no chão, equilibrar-me, fazer força contra o chão, ter controlo na expressividade com que queria andar, isto é, se queria fazer barulho ou não, se queria um passinho delicado e sem barulho ou se queria uma pegada esmagadora que até partia o chão de mármore da sala.    E assim com pequenas propostas que a professora nos foi dando, de forma divertida, sem darmos conta aprendemos os 8 vetores de força da técnica de Klauss Vianna; aprendemos também a mexer e a ter controlo nos ísquios, que nós tanto usávamos no funk antes da aula e nem sabíamos, a projetar a escápula, quer no solo quer de pé, o que nos permitiu começar um movimento expressivo e darmos-lhe continuidade com a articulação do cotovelo até chegar à mão.  


Um exercício que eu gostei bastante foi o de explorar o movimento a partir de imagens que a professora nos mostrou, neste caso, o Bufão de Shakespeare e a Bailarina, isto permitiu-me explorar outras personalidades dentro de mim próprio e sair da minha zona de conforto.             Provavelmente, sem esta ferramenta ser-me-ia mais difícil sair do meu filtro de artes marciais, por exemplo, na caninana, que inicialmente interpretava muito o jogo por uma visão mais competitiva, pensava que tinha que tocar no calcanhar do meu adversário a todo o custo e ele não podia me tocar pois eu queria ganhar o jogo. Assim despi-me deste conceito competitivo em cena, compreendi que em cena diferente do tatami, não há problema em jogar com uma personagem como o Bufão, mais brincalhão e matreiro, com movimento mais curtinhos e rápidos, ou então brincar com uma personagem com a Bailarina com movimentos mais delicados e precisos. Isto abriu-me as portas para explorar cada vez mais personagens, e certamente me enriqueceu.

Quando começar o segundo semestre, vou procurar fazer uma ligação melhor entre a técnica e a poética, que sinto que foi o problema da minha performance, deixei a técnica prevalecer sobre a poética e acabei por esquecer-me das ferramentas. Vou explorar mais as pausas do movimento, intercalar entre ritmos como o jogo do “pega-pega”; explorar o olhar com o publico, que de certeza que trará uma outra intensidade para a cena.

Para terminar, devo dizer que amei este semestre, e sinto que evolui imenso tanto como ator como ser humano. Adorei conhecer e trabalhar com a professora e espero que a professora que a vai substituir que consiga trazer a emoção que a professora sempre trouxe para esta disciplina que gosto tanto.

 

 

 

 

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