Uma breve satisfação - José Serrano
Sempre que começava as aulas de corpo e movimento, a minha falta de energia e o mau estar em relação a todo o processo de integração num novo curso e, na verdade, num novo mundo, iam embora. Eu soltava-me, sentia-me livre, aceite pela minha turma e apoiado por todos. Éramos vinte, mas trabalhávamos como um – um grupo, uma turma, um cardume, um bando de pássaros...
Ao início estava
desmotivado, sem vontade de me levantar da cama, tanto que pensei várias vezes
em desistir da faculdade, mas as aulas... essas faziam-me esquecer os problemas
e tentava prometer a mim próprio: «Zé, o que quer que sintas quando acordares
na manhã da próxima aula, pensa no que estás a sentir agora. A alegria, a
excitação, a calma; no fundo, lembra-te da mistura de emoções que te estão a
dar prazer e vontade de continuar são e forte.»
Foi duro e confesso que o
limite de faltas foi o que me impediu de estar ausente mais vezes. Não me
arrependo das faltas que dei porque me fizeram chegar a várias conclusões
importantes, mas definitivamente devem ter sido aulas fantásticas que gostaria
de ter experienciado.
Os ensaios para a nossa
aula aberta que se realizaria nos Leões foi, também, fulcral para a minha
aprendizagem nesta disciplina visto que tivemos, como em nenhuma outra aula, um
contacto máximo com o chão, a lama, as ervas e as formigas, mantendo sempre
distanciamento uns dos outros devido aos tempos em que vivemos.
Nunca me soube tão bem
dizer que estava sujo. Se é que eu estava mesmo, visto que aquilo era apelas
lama. Lama que pode ter uma aparência duvidosa, mas que de sujidade não se
compara com muitas pessoas que por aí andam…
À parte disto, algo que foi essencial foi acabar o semestre com uma apresentação que reflete muito aquilo que sou. Apesar de não ter tanta relação com o que fazia nas aulas, tive o mesmo desempenho, mas com algo mais pessoal, sem tantos mudanças entre níveis altos e baixos e sem tanta brusquidão, com um maior controlo por parte da minha pessoa; contudo, feito de forma mais enérgica.
Em suma, esta foi uma
disciplina crucial para a minha vida, que me mudou, de certa forma, positiva e
permanentemente. Ficará marcada principalmente pelo “à vontade” que senti
durante as nossas aulas e pela confiança que ganhei com a minha turma, sendo
que esta foi a disciplina que mais nos uniu.


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