Corpo e Movimento Cénico - Clara Pereira

Licenciatura em Teatro – Corpo e Movimento Cénico – 1º Semestre
Docente: Renata Meira
Clara Pereira

Corpo e movimento cénico
-Ensaio sobre a disciplina


Quando penso no meu processo e caminho teatral percebo a falta de bases ao nível do movimento, não havia um trabalho corporal bem fundamentado por trás da minha interpretação.
Quando comecei o meu percurso na faculdade de Évora deparei-me com a disciplina de Corpo e movimento cénico. A disciplina criou em nós, enquanto alunos, uma prática constante e progressiva na utilização do nosso corpo. Não estamos mais apenas a andar, agora estamos a andar com a consciência do peso do nosso corpo, da colocação dos nossos pés no chão, da posição dos ísquios, da utilização dos braços. Agora não somos apenas atores em cima de um palco, somos atores com a consciência do peso que fazemos em cima do palco, da maneira como andamos e posicionamos o corpo.
A verdade é que quando assistimos um espetáculo de teatro ou dança, vemos o espetáculo e as cenas de forma tão fluída que nos esquecemos muitas vezes de todo o trabalho que está por detrás dessa “naturalidade” e fluidez. Mas na verdade, essa fluidez é o produto de muito trabalho e de construção pessoal, não só a nível da personagem, mas também a nível corporal e físico por parte do ator.
O corpo é o material de trabalho do ator, como tal é extremamente necessário que todos movimentos e atividades praticadas com o corpo sejam feitas com precaução e conhecimento para que o mesmo não desenvolva problemas sérios. O conhecimento face à utilização do corpo é importante, pois é necessário haver um grande controlo corporal para fazer uma peça, pois independentemente do tempo da peça, o ator tem de aguentar o esforço físico que é proposto por cada cena, sem nunca perder a força para dançar, cantar ou falar. Ou até mesmo apenas para ficar em pé, pois é também necessário muito controlo corporal para manter o corpo imóvel.
Contudo achei a adaptação à disciplina muito tranquila, o facto de o uso do corpo ser um trabalho contínuo, facilitou a minha entrada na matéria. Acredito que ao longo dos semestres possamos sentir ainda mais a diferença que as práticas criadas nesta aula nos vão proporcionar, no entanto, já são visíveis diversas diferenças em comparação com o começo das aulas. Pessoalmente, sinto-me muito mais livre e solta em comparação com o início, pois como não tinha grande controlo face à utilização do meu corpo e dos movimentos que conseguia atingir, não tinha tanta confiança a fazer os exercícios, agora já me sinto com muito mais capacidade na execução dos exercícios.
Continuando com a minha experiência pessoal, o meu exercício favorito é o enraizamento. Gosto da liberdade imposta pelo exercício e a maneira como nos desafia a experimentar novas maneiras de entrar em contacto com o solo. E não só a nível dos membros inferiores, como também dos membros superiores – a maneira como os braços estão diretamente relacionados com o nosso equilíbrio, a maneira como o desequilíbrio em si é também uma maneira de enraizamento, a maneira como não há necessariamente um certo e um errado, mas apenas um largo espaço criativo sobre o qual os alunos se podem expressar.
Cada técnica utilizada tem um potencial enorme e um papel extremamente importante no nosso trabalho, como tal, na minha apresentação individual, feita na última aula aberta, tentei trazer à minha apresentação um pouco de todas as aprendizagens que a unidade curricular me proporcionou. Escolhi de uma música calma – Piano Concerto No. 21, Mozart –, com o intuito de criar uma apresentação íntima, onde eu tivesse a oportunidade de concentrar a atenção da minha mente apenas no meu corpo e no que o mesmo propusesse.
O contacto com o chão foi uma prática muito decorrente das nossas aulas e foi algo que me trouxe uma nova realidade de movimentos, portanto decidi dedicar o início e o final da minha apresentação ao chão. No início utilizei-o como uma ponte para o movimento, com a introdução de impulsos comecei a levantar-me do chão até ficar em pé, e no fim da minha apresentação utilizei-o com apoio – A apresentação durou seis minutos, como tal o chão foi o refúgio, para um final onde pudesse respirar.
Foi uma performance libertadora, onde tive oportunidade de transformar as aprendizagens em sensações. O enraizamento foi o exercício que mais me ajudou na transmissão de emoção, onde fiz uma mistura entre movimentos lentos e delicados e movimentos rápidos e bruscos, mas precisos. A Prática contínua feita, ajudou-me na preparação corporal, que necessitei para a fluidez dos meus movimentos durante a apresentação, principalmente naquilo que diz respeito à flexibilidade e no modo em que tentei atingir e descobrir novos movimentos.


A adaptação às aprendizagens foi bastante fluída, promovendo o desenvolvimento de uma consciência crítica perante os movimentos e na precessão dos limites corporais individuais. As aulas garantiram-me um local seguro à prática de exercício, no modo em que me possibilitaram uma melhor ligação aos meus movimentos e me ajudaram a ter uma precessão mais alargada da minha presença em cena. Também ganhei uma melhor noção dos meus movimentos e daquilo que o meu corpo é capaz de atingir, que me foi possibilitado em aula, maioritariamente, pela versatilidade das músicas e das atividades propostas.
No que diz respeito ao espaço em cena, foi-me também possível a precessão do espaço enquanto grupo, o que considero uma mais valia. Em aula realizámos diversos jogos em grupo ou em pares, que nos propuseram uma realidade daquilo que é a criação e exposição de uma performance.
Também a apresentação de grupo que iria decorrer na última aula aberta em dezembro de 2020, mas que infelizmente não foi possível realizar devido à situação atual de Covid-19, foi importante no envolvimento de criação de uma apresentação e na aprendizagem face à aceitação e confiança perante aos movimentos de grupo.
A disciplina de Corpo e Movimento Cénico, potenciou positivamente a minha noção face aos movimentos e ao meu corpo em cena e possibilitou-me uma aprendizagem referente à minha presença em cena, garantindo-me confiança nos movimentos praticados. Existiu também uma aprendizagem a nível teórico, naquilo que diz respeito às capacidades anatómicas necessárias à prática dos exercícios e movimentos.  







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