A Primeira Experiência é a melhor Descoberta-Deka Saimor

Trazendo um pouco da minha autoavaliação, como referi, as aulas de Corpo e Movimento constituíram um item importante de descoberta dos meus pontos fortes e os meus pontos de melhoria, como também serviu de auxílio para desenvolver mais as minhas competências sobre as tipologias e padrões de movimento.

Por nascer em Cabo Verde, culturalmente aprendemos a usar o corpo de forma muito ativa no nosso dia a dia, seja nas danças, na música, nos momentos ritualísticos, cerimoniais, nos jogos tradicionais. E talvez isso poderá ter contribuído para que a minha expressividade corporal remetesse a movimentos rápidos e com grande precisão, chegando a seguir a linha de Staccato. 

Godard Hubert na sua obra intitulada “gesto e perceção” aponta o modo como a cultura, a história do individuo, a sua maneira de perceber as situações, de interpretar, podem induzir a uma “musicalidade postural” que o acompanha ou despista em gestos intencionais executados. No meu caso, os fatores mencionados anteriormente exercem essa influência no modo de executar os meus movimentos.

Em relação ao meu primeiro texto, ao fazer uma releitura, percebi que estava ainda na fase de adaptação, ao chegar no meio do processo da aula aberta, sentia-me ainda muito insegura, e não conseguia manter uma ligação com os exercícios. Talvez por não ter conseguido acompanhar o processo desde o início, com as instruções adequadas.

Para além disso, fatores como o clima, as temperaturas extremamente baixas e por estar em distanciamento podem ter contribuído por não conseguir estar mais envolvida como gostaria. Mas isso viria a ser ultrapassado porque após retornar as aulas dadas pela professora, eu tive o proveito de explorar e abordar outras emoções através do meu corpo, de forma mais intimista, em muitos momentos com grande leveza, e falar com o corpo sem precisar recorrer a movimentos tão precisos e com grande tensão muscular.

Os conteúdos que mais apreciei e que tiveram um ponto relevante na minha perceção corporal, foi as aulas onde trabalhamos a “automassagem” que corresponde a uma das características do método de Educação Somática, o cuidado com a nossa pele, de sentirmos nós mesmos através do nosso corpo. Também, nas aulas de velocidades (máxima e mínima) onde percebemos e tomamos consciência de como executamos os movimentos, o uso da respiração que ajudava muito dando suporte no movimento, o incentivo da auto pesquisa, onde a professora nos incentivava a explorar, através do movimento, conexões entre partes desconexas. E por último, o exercício em pressionar o metatarso, que me ajudou a reconquistar o equilíbrio, devido a minha lesão nos joelhos, tenho alguma dificuldade em manter o equilíbrio, principalmente em movimentos que devem ser executados lentamente, e trabalhando o vetor de metatarso, consegui recuperar, mesmo que seja pouca, algum equilíbrio e impulso.

Apresentação Individual

Por ser a minha primeira avaliação, queria levar um componente pessoal e que retratasse de alguma maneira o lugar de onde eu vim. Em Cabo Verde, a mulher é o símbolo da nossa Morabeza, uma expressão cem por cento crioula e que traduz toda a beleza e a poesia das cabo-verdianas.

E o alguidar corresponde à um dos objetos que está sempre presente, em vários momentos da vida das mulheres.~

Independentemente da ilha ou da faixa etária, é muito comum ver mulheres com alguidar carregando água, ou algum alimento, e muitas vezes essa prática serve de sustento para muitas famílias.

A performance retrata no geral a força da mulher cabo-verdiana e as expressões faciais forma de “grito” simboliza o grito que toda nós mulheres temos dentro de nós, que ao se exteriorizar, pode sair como grito de raiva, de ajuda, de guerra, de força, de liberdade ou até mesmo prazer, e é por isso que não emiti nenhum som, pois nem sempre precisamos necessariamente da fala para se expressar.

A música escolhida foi de uma cantora cabo-verdiana Mayra Andrade chamada “Pull Up”.

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