A Expressividade Corporal e a Sensação do Corpo - Clara Pereira

 
Licenciatura em Teatro – Primeiro ano – Semestre ímpar
Corpo e Movimento cénico
Docente: Renata Meira
Clara Bernardo Ferreira Pinto Pereira, l49501

A Expressividade Corporal e a Sensação do Corpo


No dia 15 de dezembro aconteceu o ensaio geral daquela que seria a nossa apresentação da disciplina de Corpo e Movimento Cénico, que decorreria a 17 de dezembro pelas 10h da manhã no relvado da Escola de Artes, da Faculdade de Évora. Infelizmente, devido à adversidade do Covid-19, não foi possível a realização da apresentação, no entanto, toda a experiência imersiva das aulas e deste tão intenso ensaio geral, proporcionaram-nos uma vasta aprendizagem naquele que é o nosso conhecimento do corpo.

A apresentação tinha como tema precisamente o nosso tão inesperado ano 2020, que nos trouxe uma maré de acontecimentos intensos, porém, de tudo a arte se transforma e esta maré ajudou-nos a dar uma maior energia e vigor aos nossos movimentos e à nossa expressividade corporal e teatral.

A foto acima, foi retirada durante o exercício da caninana, que consiste num jogo de fugir e apanhar, onde temos de tentar agarrar o tornozelo do(s) outro jogador, como cobras “caninanas”, e impedir que o outro jogador toque no nosso. O intuito do jogo é a utilização dos movimentos corporais para a expressividade da sensação do corpo. A foto, retirada no episódio final do exercício, demonstra a dinâmica entre as duas jogadoras, onde eu, à esquerda, tento atrair a atenção da outra jogadora através da aproximação do meu tornozelo.

Pessoalmente, este é o exercício que considero ter maior liberdade na nossa apresentação. O ato de “fugir” e “apanhar”, transforma-se numa dança quase hipnótica. Motivados apenas pela adrenalina do jogo, a mente perde o controlo e o corpo passa a guiar as ações. Os movimentos não são previamente pensados, são impulsos criados no momento através da vontade de caçar o outro, sem ser caçado.

O jogo, feito dentro de uma roda criada pelos participantes do exercício, é acompanhado por música, também ela cantada pelos participantes:

“O toco é grosso,
A raiz é funda.
Procurei a raiz está no fim do mundo.
Toco preto no caminho, levanta o pé.
Se a moita mexeu, quero ver quem é!
Eu fui no mato
Ei, caninana,
Fui ‘panhar meu imbé,
Ei, caninana,
A malvada da cobra
Ei, caninana,
mordeu o meu pé,
Ei, caninana,
Ela é cobra verde,
Ei, caninana,
ela é cobra coral.
Ei, caninana,
Ela é venenosa,
Ei, caninana, 
Ela vem me pegar.”

 

A música eleva a energia do exercício, criando uma atmosfera de companheirismo e criatividade. Existe liberdade à criação. Esta liberdade, fundamentada pelos ensinamentos previamente dados em aulas: os apoios, as raízes, os impulsos; transformam o jogo e o jogador, levando à criação de novas expressões corporais. 

Comentários

Postagens mais visitadas